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quarta-feira, 9 de abril de 2008

Manifestações Olímpicas

Sou provavelmente dos poucos seres humanos que considera uma covardia esta onda de protestos em torno dos Jogos Olímpicos na China. Concordo, o Tibete aos Tibetanos, mas discordo na necessidade de transformar a volta ao mundo do facho olímpico numa feira de protestos (a ver quem protesta mais veementemente contra a política chinesa para o Tibete).

Quando os JO são usados para manipulação política (munique '72) a coisa corre necessariamente mal... e duvida-se da eficácia dos boicotes (Moscovo '80) como forma de mudar atitudes políticas.

Quem perde é o desporto, são os atletas, são os fãs do desporto e dos ideais olímpicos, que cada vez mais são esquecidos a favor da demagogia barata e fácil. Concordo que se exija à China uma atitude diferente em relação ao Tibete na Assembleia Geral das Nações Unidas. Não concordo que se usem os JO como arma de arremesso político.

E sobre a posição do nosso Presidente da República... considero-a sóbria, digna e honrada. Diz que não vai e pronto.

PS - Creio que o Dalai Lama agradece a 'boa' intenção dos protestos, mas é capaz de concordar comigo...

sexta-feira, 28 de março de 2008

Tibete

O que se está a passar no Tibete não é tanto uma surpresa, mas antes uma confirmação do que a China está disposta a fazer, mesmo nas vésperas dos Jogos Olímpicos de Pequim, para manter a unidade da pátria. Taiwan deve tomar nota.

Mas mais do que discorrer sobre as acções dos monges e as represálias do exército, gostaria, aqui, de me referir às hipóteses de boicote dos JO que sistematicamente são referidas, tanto pelos eurodeputados como, até, pela parelha Sarkozy-Kouchner.

A UE deve, sem medos nem hesitações, assumir os seus valores e promover a sua disseminação sem quaisquer receios. Até aí estaremos todos de acordo (penso eu!). Afirmar já que se boicotarão as cerimónias de abertura e encerramento dos Jogos (oportunidade única para a liderança chinesa mostrar a todo o mundo o seu progresso e desenvolvimento) será a melhor maneira de o fazer? A meu ver, não. Felizmente já ninguém se refere a boicotes pelos atletas, que apenas servem para pôr em causa o espírito olímpico (que muito bem pode fazer a populações limitadas nos seus contactos com o exterior). O que está hoje em dia em causa é um boicote político. Humilhar a China não aparecendo. Sinceramente, duvido que funcione. Pequim poderá estar preocupada com a imagem que transmite. A limpeza das ruas, a deslocalização de fábricas, as aulas públicas aos cidadãos com matérias como "fazer uma fila", são sinais disso mesmo. Mas há coisas mais importantes para a China do que a sua imagem internacional. A unidade do país é uma delas. E por isso não há boicote que funcione. Daí que seja preferível manter a pressão, exigir mais diálogo, procurar manter o assunto na agenda, mas não misturar o plano político com o desportivo, isolando Pequim com países pouco recomendáveis, deteriorando as relações com o Ocidente e fechando possíveis portas de entendimento futuro.

terça-feira, 25 de março de 2008

Regresso

Que não se julgue que O Conserto das Nações é gerido e erigido por gente com pouco que fazer, nem muito menos por gente que não tira férias na Páscoa. Dito isto, segue-se uma curtíssima resenha do pouco que se passa por este mundo fora:

1 - China, Tibete, Jogos Olímpicos. Os únicos lugares do mundo onde não há secessões possíveis é nos membros permanentes do Conselho de Segurança. Excepção feita à URSS, por desistência/dissolução da própria, e às velhas potências coloniais Reino Unido e França, porque outros membros do Conselho de Segurança (não digo nomes) assim o decidiram. Estabelecer regras neste mundo, como se vê, não é fácil.

2 - SEXA PR está em Moçambique, falando do Renault Dauphine com que "desbravou África". Uma escolha de palavras a que talvez alguns moçambicanos não terão achado graça, mas que, não obstante, talvez seja desculpável, sabendo quão poderoso é o feitiço do Império. Ninguém é perfeito.




3 - Por fim, uma nota de humor e boa disposição vinda do mais improvável dos lugares, e que é já bem exemplificativa de que sopram ventos diferentes daquela remota parte do mundo. Seja como for, o momento musical que se segue é muitíssimo bonito, e vale a pena:

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Há coisas que nunca mudam

A China é muitas vezes apresentada como a próxima super-potência, a razão pela qual o Ocidente perderá a sua força e a Ásia emergirá como o novo pólo geopolítico do século XXI. Não sei se será assim, mas sei que estes processos, quando acontecem, não são bonitos e que se baseiam em atitudes menos dignas de todos os intervenientes. Esta notícia apenas nos relembra de uma das pontas do icebergue.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Um parto difícil

Demorou bastante tempo, para os padrões habituais, mas da Cimeira UE-China saiu, finalmente, uma Declaração Conjunta, com 16 páginas - como que a justificar o hiato temporal entre a realização da Cimeira (28 de Novembro) e a emissão da Declaração (hoje, 3 de Dezembro). Disponível aqui.

Um dos assuntos que marca a actualidade da região, e que foi alvo de declarações pelo PM Sócrates, é o referendo que o PM de Taiwan pretende organizar sobre o pedido de adesão à ONU (repetidamente recusado pela Organização em tentativas anteriores), substituindo Taipé a República Popular da China (que, recorde-se, apenas entrou na Organização em 1971).

Este referendo, como sublinhou a UE - e bem - em Pequim, é um perigo e uma ameaça à manutenção do statu quo. Para Taiwan é um tiro no pé, que não faz, racionalmente, qualquer sentido a um país a quem convém, a todo o custo, manter esse statu quo, evitar uma escalada nas tensões regionais e evitar, também a todo o custo, que aqueles que com ela trabalham e cooperam tenham de escolher definitivamente um lado. É evidente que, do ponto de vista de política interna, o referendo até pode fazer sentido. Mas, com os custos que este passo terá no plano externo, a bondade da sua execução deixa muito a desejar.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Top de vendas de armas 2006!

... e o que é mais interessante é que o Paquistão, depois de ter comprado tanta arma, pode mudar de regime, líder e, possivelmente (e aterradoramente) mudar de aliado... parece que já vi isto em algum lado...

Agora, imaginemos o que uma China desembargada poderia fazer ao mercado de venda de armas....

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Pesos e medidas

Eu teria preferido deixar passar o assunto e vê-lo perder-se nas brumas dos Himalaias; tê-lo-ia feito, aliás, se o gesto, ou falta dele, tivesse ficado por aí. No entanto, o Eng.º Sócrates forçou-me as pontas dos dedos e tenho mesmo de preparar este remendo.

Não é que eu ache que, pelo facto de o Dalai Lama ter sido expoliado do seu poder temporal pelas hordas chinesas, de ser o líder espiritual de uma religião que está na moda e de ser uma figura simpática e acarinhada por nós no Ocidente, que qualquer governante tem de largar tudo para ir recebê-lo. Não defendo nem simpatizo, de modo nenhum, com a situação que a China criou e mantém no Tibete; mas fico sempre com a impressão de que a «política dos princípios» tem muito mais a ver com os fins, de política interna ou externa, de quem a prega, do que realmente com idealismos.

Mal estará um governo português que toma decisões com impacto na sua política externa para agradar a toda a gente que é defensora dos anexados, genocidados e, globalmente, oprimidos. Por isso, até nem me pareceu mal a solução acinzentanda que Portugal encontrou para acomodar o Dalai Lama: quem o recebe é a 2.ª figura da ordem constitucional, numa esfera oficialmente fora do poder do Executivo, e o Presidente da Câmara da capital do país; ficam de fora a Chefia do Estado e a Chefia do Governo.

Uma das coisas que mais me custa nesta vida, além de ver a defesa da Selecção de futebol, é assistir a fazer-se e pensar-se política com base em preconceitos. Um preconceito é, por exemplo, partir do princípio que tudo o que o Dalai Lama faz e diz é bom, e que aparecer-nos assim, quando somos a presidência da UE e temos uma cimeira UE-China em Novembro, é perfeitamente inocente e não pretende obter dividendos políticos. Ainda por cima, este raciocínio simplista acaba por retirar relevância política à questão tibetana e volta-se contra quem está realmente empenhado em algum tipo de progresso nesse capítulo. Enfim. Veja-se isto, como exemplo de ondulação política - simbólica, é certo.

Dito tudo isto... custa-me mais ainda ver que o Executivo não recebe o Dalai Lama, mas no mesmo dia abre as portas de São Bento ao Bob Geldof. Tal como o Bono e outros beneméritos, auto-intitulados defensores dos africanos (em geral, que no fundo no fundo são todos iguais) e conhecedores profundos dos males e patifarias que os Europeus e Ocidentais fizeram à África (porque aquilo é tudo a mesma coisa). Eu leria sem dramas a primeira frase deste parágrafo, oração por oração, em separado, em alturas distintas. O problema é que estão juntas. E o nosso Governo passou uma mensagem um bocado esquisita a quem lhe prestou atenção.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Tarde e a más horas... (II)

Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé; se a dinâmica do investimento português na China não é das melhores, que tal surfar a onda do investimento chinês? Os senhores têm, para já, € 250.000.000.000 para investir:

http://www.lemonde.fr/web/article/0,1-0,36-953762,0.html

Tarde e a más horas...

Muito francamente, gostaria de saber para que raio andamos a dizer (pelo menos eu já o digo desde 2002, com artigo publicado em 2005) para se investir na China para depois o tecido empresarial português ligar pouco ou nada ao assunto e deixar passar oportunidade atrás de oportunidade?
http://dn.sapo.pt/2007/09/12/economia/empresas_portuguesas_chegaram_tarde_.html

Depois admirem-se que são comidos pelos espanhóis, e que é preciso apoios do Estado e subsídios da UE... Mandriões!!!!