segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

De volta aos EUA

Os resultados das primárias democratas e republicanas deste fim-de-semana demonstram três coisas: Obama está-se a impor, de forma cada vez mais evidente; Hillary precisa, desesperadamente, de qualquer coisa que restitua à sua campanha uma aura de vencedora (a vitória no Texas em Março poderá já ser tarde); e McCain, apesar de vir a ser o nomeado, não é bem aceite por todos os Republicanos, como demonstram as vitórias de Huckabee.

O que é que tudo isto pode, eventualmente, significar? A meu ver, McCain é uma ameaça séria para os democratas. Não só porque é um candidato naturalmente forte, capaz de motivar as pessoas, mas porque já se sabe que é ele. E isto poderá fazer toda a diferença. Enquanto os democratas continuam envolvidos numa luta interna, de contagem diária de delegados, os republicanos já sabem quem vão apresentar em Novembro. E neste período de tempo em que ainda não tem um opositor claro, McCain esforçar-se-á por convencer os republicanos mais reticentes em apoiá-lo, fazendo discursos mais à direita e recordando o seu passado como priosioneiro de guerra.

Quanto aos democratas, não me parece que se possa já dizer, nesta fase, quem vai conquistar a nomeação, até porque muitos dos "superdelegados" (e são mesmo muitos!) ainda não definiram a sua posição. E tudo indica que será precisamente na Convenção que tudo se vai decidir. Dito isto, Obama parece ser cada vez mais uma opção realista - o que não significa que ganhe no dia das eleições. Os negros não são a maior minoria dos EUA, mas sim os hispânicos (e estes não votam Obama!). Por outro lado, a valorização de uma mensagem de mudança pode perder o seu apelo no verdadeiro dia de decisão - quando a crise económica pode já ter surtido significativos efeitos. Por tudo isto, muitos democratas sonham com um Hillary-Obama ticket ou mesmo com uma dupla Obama-Clinton. Se o primeiro cenário me parece improvável (Hillary não poderia ofuscar o Vice-Presidente como normalmente os Presidentes fazem e não estaria, certamente, disposta a dar-lhe o protagonismo que dele seria exigido), o segundo afigura-se-me impossível (Clinton está a concorrer para ganhar e não para passar mais 8 anos na Casa Branca a fazer o que o Presidente quer - e, note-se, um Presidente em que ela não tem tanta influência).

Em suma, ainda está tudo muito indefinido. Mas uma coisa é certa: aqueles que acreditavam que esta campanha seria apenas mais uma em que dinheiro e boa organização decidiriam tudo, podem-se desenganar.